As Relações Íntimas Na Visão Islâmica

Apresentação

Louvado seja Allah o Altíssimo e a Paz esteja sobre o Seu Mensageiro Muhammad.

O Centro de Divulgação do Islam para América Latina visa apresentar o Islam um Deen - Sistema de vida e que não se limita apenas a ritos.

Daí oferecer ais leitores de língua portuguesa este livro que aborda o que os demais chamam de problemática sexual uma vez que o Islam assinalou o caminho de usufruto deste instinto natural sem reprimi-lo através de um plano que salvaguarda a moral.

Dizemos isto sabendo que o mundo moderno enfrenta uma aguda problemática neste campo em face de promiscuidade, a disseminação desenfreada de doenças sexualmente transmissíveis e a desagregação da família.

Este livro mostra a solução islâmica alternativa desta situação e que coaduna com o estado natural do ser humano.

O autor Fathi Yaken é um dos lideres do pensamento e do proselitismo islâmico, no Mundo Islâmico e em especial no Líbano. Iniciou sua pregação desde a década de 50, ocasião em que algumas sociedades foram inundadas por uma onda de promiscuidade e amoralidade devidas ao decréscimo do sentimento religioso em face de fatores diversos.

O centro de Divulgação do Islam para a América Latina oferece este livro aos leitores como prova de sua missão social solicitando a Deus o Altíssimo que venha a ser um guia aos desorientados e aos que procuram a Verdade. Esperamos poder editar mais destes livros que propõem soluções dos vários problemas da vida.

Anwar Abdussalam El–Kabti

Enviado da Liga do Mundo Islâmico

Diretor Executivo do Centro de Divulgação do Islam para América Latina

06 Rajáb 1410 H.
01 Fevereiro 1990 D.C.


Introdução

O agravamento da crise sexual no mundo. E o papel que desempenha na fragmentação das bases e da existência social, demolindo os conceitos morais e de conduta devem ser considerados como resultado da civilização materialista e um índice de falência dessa civilização na criação de uma boa sociedade humana.

Isso também nos leva a apresentar um substituto salvador, porque, se é importante desbaratar a imoralidade presente, é mais importante, ainda, construir uma realidade sã e benéfica.

Os problemas vividos pela humanidade não podem ser enfrentados meramente com a sua descrição, mas com a apresentação de soluções radicais para eles.

O instinto sexual necessita de uma organização natural, que se encarrega de valorizá-lo e orientá-lo. Uma organização que consiga afastar o homem dele e proteger o individuo e a sociedade de seus perigos e malefícios.

Todas as soluções apresentadas com respeito ao problema sexual não garantem o equilíbrio necessário entre alcançar o prazer e eliminar os malefícios entre a pratica sexual e proteção da moral.

Este livro estudo o método que realiza esse equilíbrio natural.

Peço a Deus que nos beneficie com ele e engrandeça a sua recompensa.

“Allah orienta os crentes para uma senda reta”.

O Autor
5 Zul Hijja, 1392.
21 de janeiro, de 1972.


A Imaginação é Guia do Comportamento

Todo comportamento e ato do homem provem dos ideais que ele carrega e a crença que ele tem. É difícil encontrar um homem que não tenha uma imaginação especifica sobre o Universo, sobre o homem e sobre a vida.
O homem, que crê nas evidencias cósmica, sabe como foi e para que foi criado, que ele morrerá, será ressuscitado no Dia da Ressurreição para ser recompensado pelo bem que tenha praticado e ser castigado pelo mal que tenha cometido. Seu comportamento harmoniza-se com sua imaginação.

O ateu, que nega a existência de Deus, descrê na ressurreição, que considera a vida como matéria, seu comportamento combinara, sem duvida, como sua imaginação e com o sistema e comportamento que se originam disso.
Até o indeciso entre este ou aquele, seu comportamento na vida esta de acordo com sua indecisão e desvio. Uma vez esta com estes outras com aqueles, sem apegar a um só método.

Corrigir a Imaginação é a Base

Por isso toda correção ou mudança na realidade da vida humana não se baseia num pensamento confuso. O homem é guiado primeiro pelo seu pensamento, mesmo que não negue o vestígio de seus instintos. Esses mesmo instintos são satisfeitos e agem de acordo com o pensamento que o homem carrega.

O comportamento do homem na vida é na realidade a reflexão de seus entendimentos e pensamentos, e não o contrario, como alega a filosofia materialista que considera a idéia como filha da matéria e do comportamento e que a matéria é quem a produz.
Engels diz: “O mundo material que a nossa sensibilidade alcança e que nós próprios pertencemos a ele é a única realidade. Nossa inteligência e nosso pensamento, por mais sublimes que pareçam, não são mais que o resultado de um membro material, físico, que é o cérebro. A matéria não é produto da mente, mais a própria mente não passa de resultado da matéria superior.”

Por isso, o Islam, desde o inicio, quando estava envolvido na transformação da sociedade, de uma sociedade de ignorância numa sociedade islâmica, baseava-se na analise de sua compreensões religiosas a respeito do Universo, do Homem e da vida, e na qualidade do pensamento e da visão do homem, para construir e, por seus intermédios, compreender essa crença e adotá-la profunda e genuinamente.

Diz Deus , no Alcorão Sagrado: “ Que o homem considere, pois, de que foi criado! Foi criado de uma gota ejaculada, que emana dentre a virilha e as costelas.” “Na criação dos céus e da terra, na alternação do dia e da noite; nos navios que singram o mar para o beneficio do homem; na água que Deus envia do céu, com a qual vivifica a terra, depois de haver sido árida e onde disseminou toda a espécie animal; na mudança dos ventos ; nas nuvens submetidas entre o céu e a terra, há sinais para o sensatos.”

Estes e muitos outros versículos do Alcorão mostram o método islâmico na formação dos membros e dos grupos e na construção dos povos e das sociedades.

É o método que se inicia com a formação do pensamento e termina com a formação da realidade em todos os assuntos e situações.

Em vão tentam as tendências materialistas e os sistemas positivos corrigis a realidade humana através das formas matérias. Deus diz: “Deus jamais mudara as condições que concedeu a um povo, a menos que mudem o que tem em seus íntimos.”

A Revolução Sexual

Causas e Efeitos

A conversa sobre sexo, hoje, não esta mais restrita a circulo teórico (absoluto), ou aos limites das ideais ao circulo teórico (clássicas). O mundo que vive hoje uma revolução sexual opressiva que ultrapassou todos os limites e restrições tornou o problema como o mais saliente e o mais perigoso para toda a existência humana.

Jorge Balushi Horvet, em seu livro: ”A Revolução Sexual” diz: “agora que as nossas mentes conseguiram dominar o medo nuclear e a existência do estrôncio 90 em nossos ossos e os ossos de nossos filhos, o mundo abunda de elementos humanos preocupantes devido à importância crescente que o sexo ganha em nossa vida cotidiana. O perigo é sentido. Pois a onda de nudez e os ataques do sexo são ininterruptos. As pessoas se ocupariam apenas com a incrível forca que a necessidade sexual pode alcançar, se não houvesse o temor do inferno, das doenças venérias, e da gravidez, na sua opinião, toneladas de bombas sexuais explodem diariamente e deixam marcas alarmantes que, não só transformam nossas crianças em monstros imorais, mais degeneram sociedades em seu todo.”

James Ruston escreveu no New York Times:

“O perigo da energia sexual, afinal, é maior do que o perigo na energia nuclear.”

O historiador Arnold Tonybee chama a atenção de que o domínio do sexo pode acarretar o desmoronamento das civilizações.
Isso foi afirmado pelo Islam, pois o Profeta disse:

“Toda vez que a concupiscência proliferar num povo, Deus o assolará com a aflição”.

A Europa, a América e outros países do mundo testemunham, há anos, uma loucura sexual, quer seja no campo dos cosméticos, quer no mundo dos livros e dos filmes. O sexo causa problemas à maior parte dos membros da sociedade humana. Sua prática tornou-se o objetivo vital e a principal esperança de muitas pessoas.

O sexo não é mais aquela relação sensitiva entre casais, ou entre ate duas pessoas que não estão legalmente casados; tornou-se um vasto mundo, com todo tipo de arte e de meios de excitações.

O sexo tornou-se como alimento, com seus diferentes temperos, aperitivos e cores, sem se submeter a gostos temperamentos ou bases, alem de sua liberação dos costumes e das tradições.

Na realidade, é impossível andar em qualquer cidade grande, sem se sujeitar aos ataques sexuais: anúncios de todos os tamanhos, revistas e capas fotográficas, filmes, fotografias expostas nas portas dos clubes noturnos, milhares de jovens usando roupas que havia pouco tempos atrás eram consideradas indecorosas.

O homossexualismo, as relações sexuais coletivas, o casamento, os clubes de strip e as garconieres, os stéreos e os clubes de nudismo, as revistas, os filmes e as fotos de pornografia, tudo isso tornou-se a distinção da sociedade humana em todo os cantos do mundo.

Essa revolução sexual, que se iniciou há alguns anos, foi fruto de certos tipos de situações e de valores tradicionais, morais e intelectuais.

Esse fenômeno foi fruto do acaso, mas é o resultado da realidade; fruto de uma arvore que se alimentou e se desenvolveu dessa realidade.

O resultado era esperado desde o primeiro instante em que o pensamento materialista começou a destruir a existência humana; desde o instante em que houve ruptura entre o ser humano e as verdades incognoscíveis; desde o instante em que o homem negou a existência de Deus e em seguida a existência dos controles morais para sua vida, e os castigos divinos pelos seus atos.
Desde aquele instante o homem tornou-se um animal, vivendo por seus instintos e seus ímpetos. As propensões benéficas desapareceram dele e surgiram as maléficas. Suas concupiscências tornaram-se suas principais preocupações e o mundo o objetivo de seu conhecimento.

“São como as bestas, quiçá pior ainda!”

A ausência do pensamento religioso do mundo humano, o ateísmo, a hegemonia das leis, dos sistemas e dos códigos extraídos das teorias materialistas foram o agente principal do desvio da marca da caravana humana da senda reta, e o seu ingresso nos labirintos da perdição e dos desvios.

A principal responsabilidade recai sobre essas tendências e filosofias materialistas que oferecem a toda humanidade justificativas para a transgressão e para a perversão.

O Manifesto Comunista diz:

“Os comunistas não precisam introduzir a comunidade das mulheres. Esta quase sempre existiu. Nossos burgueses, não satisfeitos em ter à sua disposição as mulheres e as filhas dos proletários, sem falar da prostituição oficial, tem singular prazer em cornearem-se uns aos outros. O casamento burguês é, na realidade, a comunidade das mulheres casas. No Maximo, poderias acusar os comunistas de querer substituir uma comunidade de mulheres, hipócrita e dissimulada, por outra que seria franca e oficial.”

O homem formado de propensões materiais e espirituais, que tem necessidades físicas e morais, não pode desfrutar da tranqüilidade enquanto não satisfazer suas necessidades inatas. O homem do século XX arqueja atrás da satisfação de seus instintos, sem conseguir o seu intento. Ele se excede nisso em vão, por ter negligenciado a parte fundamental de sua formação. Negligenciou a si próprio e à sua alma.

As tendências materialistas falharam basicamente em conseguir a tranqüilidade e a estabilidade do homem. A civilização moderna com seus inúmeros alcances científicos e técnicos, não conseguiu preencher a lacuna e a fome moral na vida do ser humano. Essas tendências materialistas, de fato, surgiram, na maioria das vezes, devido à tensão e ao colapso nervoso, à proliferação das doenças psicológicas, testemunhadas em grande numero pelas clinicas psicológicas em todas as partes do mundo.

Marlyn Monroe era uma das mais belas mulheres do século XX. O nível que ela alcançou, como símbolo sexual, nenhuma outra mulher conseguiu alcançar. Num dia de verão do ano de 1962, devido a uma causa qualquer, percebeu que esse símbolo estava em decadência que sua beleza seria sacrificada e desaparecera, que essa paixão se enfraquecerá e morrerá. Então, ela ingeriu uma quantidade de pílulas para dormir, colocando fim a sua vida infeliz.

O que aconteceu com Marlyn Monroe aconteceu com Jean Harlow, à esposa do marquês italiano, e a centenas de milhares de vitimas do sexo, que tombaram assassinados ou em suicídio, aqui e acolá.

E abril de 1964 houve na Suécia um grande alvoroço quando 140 médicos famosos enviaram ao Rei e ao Parlamento um documento pedindo providencias urgentes contra a anarquia sexual que estava ameaçando de fato a vida e a saúde da nação. Os médicos pediam medidas contra a dissolução sexual.

Em maior de 1964, mais de duas mil inglesas fizeram uma manifestação para o saneamento dos programas das rádios e televisões da lama em que estavam atolados. Na primeira reunião que fizeram, um dos locutores disse: “ Há no exterior pessoas que gostariam que a moral moderna destruísse a tradição moral em nosso país!”

Até na China comunista, os seguidores de Mão Tse Tung sentem que devem promover uma campanha contra o amor sensorial insocial. A união Soviética, Polônia, e a Alemanha Ocidental vêem a necessidade de analisarem novamente os assuntos sexuais e morais individuais.

Em 1962 o Presidente Kennedy declarou que o futuro da América corria perigo, porque seus jovens eram débeis, atolados na concupiscência, sem responsabilidade; que de cada sete rapazes que se apresentavam para o alistamento militar, seis eram inaptos, porque as paixões em que se afundaram depravou suas aptidões médicas psicológicas.

Tais protestos que começaram ultimamente contra as perigosas transgressões sexuais em que todas as sociedades mundiais estão envolvidas, não conseguiram alcançar um ponto em que pudessem iniciar a reforma, porque só aconteceram como reações passageiras, sem fundamentos religiosos e morais.

A reforma da realidade social e moral não se efetua com meras desaprovações ao mal, mas com a reforma da sociedade e a sua reconstrução total de acordo com um sistema moral organizado.

Se a moral, os valores e os bons costumes só se formam com bases religiosas, então a honradez do equilíbrio moral no mundo se torna impossível, enquanto os pensamentos existentes e os sistemas governantes são pensamentos e sistemas materialista e não morais, completamente contrários aos pensamentos e sistemas religiosos.

A Moral e o Sexo

A moral, na opinião dos materialistas, tem interpretações estranhas que não se coadunam com o conhecimento das pessoas e com os ensinamentos religiosos e até com os sentimentos e os gostos naturais.

Não queremos falar aqui de moral do lado tradicional conhecido, mas do lado que está ligado ao sexo, tema desse livro.

Todas as tendências materialistas consideram o sexo um ato biológico, sem ter relação com a moral, da mesma forma que considera que a política não tem relação com a moral.

Drakaim diz:

“Os moralistas consideram as obrigações do individuo para consigo mesmo como base moral. O mesmo no que diz respeito à religião. As pessoas acham que ele é fruto das concepções excitadas pelas grandes forças da natureza, ou por algumas pessoas escolhidas (os profetas). Mas é impossível a adoção desse método nos fenômenos sociais, a não ser que queiramos destorcer a natureza”.

Freud diz:

“O homem não consegue se realizar sem se satisfazer sexualmente. Todo e qualquer restrição religiosa, moral, social ou tradicional é danosa, e destrói o potencial humano e é uma repressão ilegal.”

Desde o dia em que a Europa trocou a religião pela filosofia, separando a religião da vida, dando a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, começou a deturpação do sentido moral perante as pessoas. Com a perda dos controles religiosos sobre a moral, o seu sentido ficou sujeito à varias interpretações e compreensões humanas.

Tudo isso gerou gradativa e espontaneamente um valor material para a moral, que a desproveu, paulatinamente, de suas evidencia originais. Esse foi, sem duvida, o resultado de sua separação da religião, o esforço natural que a renova e lhe fornece as dádivas beneficentes e os efeitos louváveis.

Mohamad Qutb diz:

“A moral não é algo separado da realidade. Não são teorias independentes para serem discutidas em torres de marfim. Não possue regras alem das regras da vida real. É impossível que a depravação moral coexista com a retidão na vida real das pessoas. Há uma coisa, porém: a depravação moral significa depravação na realidade da vida porque são regras gerais tiradas da existência e da natureza humana.”

O resultado da liberação total dos instintos do sexo é a destruição moral, a eliminação das virtudes, o desmoronamento dos povos e das nações. Este é o objetivo do movimento sionista que age para arruinar todos os povos, menos o judaico, por intermédio do sexo.

Os Protocolos dos Sábios de Sião dizem:

“Devemos agir no sentido de acabar com a moral em todos os lugares. Isso facilitará o nosso domínio. Freud é dos nossos e ele continuará a expor as relações sexuais até que não sobre na opinião dos jovens algo sagrado, e sua preocupação é satisfazer seus instintos sexuais, causando seu colapso sexual.”

E diz:

“Reparai no êxito que soubemos criar para o Darvinismo, o Marxismo e o Nietzehismo. Pelo menos para nós, a influência deletéria dessas tendências deve ser evidente.”

A Filosofia Moral no Islam

A filosofia moral no Islam é baseada na adaptação da conjugação de todos os instintos, e na organização das relações e comportamentos humanos de acordo com a concepção da crença islâmica e com a organização que emana dessa concepção.
É a estrutura que assenta todos os assuntos da vida social, econômicos e políticos, individuais e coletivos, de acordo com bases morais, para que a sua adoção e seus resultantes sejam morais.

O moralismo no método islâmico não é um sistema particular ou um conjunto de instruções e exemplos independentes do corpo desse método e suas partes. Mas são dádivas benéficas, alma gentil, proporcional e coesa em todas as partes do método islâmico.

Se a organização política no Islam se baseia em princípios morais, em primeiro lugar deve-se conjugar esses instintos de acordo com tais princípios, em conformidade com o moralismo em todos os atos do homem , ideológicos ou profissionais, econômicos ou sociais, políticos ou militares.

Quando o Islam impõe certas restrições morais ao instinto, o faz à luz de sua avaliação à natureza humana e à natureza de suas necessidades orgânicas e psicológicas, à natureza de suas necessidades espirituais e físicas, da mesma forma que faz em relação a seus outros instintos.

Aqui está o segredo da singularidade do método islâmico em relação aos outros métodos positivos, e da sua capacidade em organizar a vida humana acuradamente, garantindo-lhe sua hombridade, evitando-lhe as transgressões, os extremismos e as perversões.

A Teoria Sexual no Islam

O Islam olha para o homem no todo: corpo,mente e espírito. Olha-o através de sua formação inata. Então ele organiza sua vida e trata de acordo com essa visão.

O Islam não olha para o homem apensa como matéria, que não ultrapassa sua estrutura e suas necessidades instintas, como é o caso dos sistemas materialistas, ao mesmo tempo em que não o priva de seus direito físicos e necessidades orgânicas.
O Islam não é epicurista no que diz respeito aos instintos e apetites, sem organização ou condicionamento. Ele também não é estóico, quanto o obrigatoriedade das distinções e a eliminação da sensibilidade do homem.

O professor Mohamad Qutb diz em seu livro “O Sistema de Educação Islâmica”.

“O Islam crê, devido ao seu humano, no que é captado pelos sentidos e no que esta fora do alcance dos sentido. Crê ma sua existência material tangível; que ele tem um punhado de pó da terra. Crê nas necessidades desse ser tangível e crê na suas potencialidades. Ele reconhece completamente esse ser sem negligenciar algo de seu valor nem desperdiçar algo de sua potencia.”

“ Ele atende às suas necessidade, pondo à sua disposição o alimento, as vestimentas, a moradia, o sexo e o seu quinhão de frutos. Ele oferece suas potencialidades para construir a terra, preparar as organizações e edificar as civilizações.
Ao mesmo tempo, crê na existência espiritual do homem , crê que ele possui um sopro do Espírito de Deus e crê nas necessidades dessa existência espiritual e nas suas potencialidades. Ele lhe fornece a fé, o exemplo, a elevação e coloca suas potencialidades na reforma da alma e dos males da sociedade, na instituição da verdade e da justiça eternos, com o intuito de ligá-la a Deus.

Quando qualquer crença ou organização revela que não há alma ou não há Divindade, e que a realidade material é a única verdade, e que a produção material e a ordem econômica abrangem toda a vida humana, então, os lados espirituais, ideológicos e intuitivos do homem são reprimidos temporariamente. Eles murcham e se atrofiam, e ficam sem força para a ação. Mas não ficam assim eternamente, senão pereceriam os povos, como aconteceu a alguns povos no decorrer da historia.
Tudo de mal que acontece na vida, toda preocupação impaciência ou atribulação, toda imoralidade, destruição e novidades, são frutos do desequilibro no intimo das pessoas, e na própria realidade da vida.

Quando o homem é dominado por algum de seus desejos, quer seja material, sexual, energético, ou autoritário, isso realmente, mesmo que lhe pereça no inicio que esta deveras feliz, na realidade, esta sempre infeliz, porque está sempre preocupado com o que tem e sempre desejando mais. É também desequilíbrio na realidade da vida. Todo e qualquer desejo acima dos limites, não prejudica apenas o seu autor, mas atinge a outro no caminho.”

Na esfera dessa concepção da natureza humana; devido às suas necessidades inatas, devido à realização do equilíbrio na satisfação psicológica e sensorial, o Islam considera o instinto sexual uma das forcas inatas na estrutura do homem e que deve ser conjugada e utilizada no ambiente que lhe é delimitado. Seu caso é igual a todos os outros instintos.

A extração dessa energia do corpo do homem é necessária da mesma forma que a sua conservação é danosa e desnatural. Essa extração, porem, é condicional à sua utilização e a realização de seus intentos humanos.

A natureza fez a extração dessa energia um prazer, porem, não fez do prazer o objetivo dessa extração incitante.

Dentre os objetivos que devem ser realizados no esvaziamento da carga sexual na vida humana há:

1 – O estreitamento dos laços de amor e piedade. È o que diz o versículo do Alcorão:

“Entre Seus sinais está o de haver-vos criado companheiras da vossa mesma espécie para que com elas convivais; e vos vinculou pelo amor e pela piedade”.

2 – A constituição da família, a fonte da tranqüilidade e da estabilidade, a formadora das gerações e dos povos, e a instituidora da responsabilidade. O homem é pastor em seu lar e é responsável por seu rebanho; a mulher é pastora em seu lar e é responsável pelo seu rebanho; ambos são pastores dentro da sociedade e são responsáveis pelo seu rebanho. Eles procuram o bem para ela e proporcionam-lhe a felicidade. “Ó senhor nosso, faze com que nossas esposas e nossa prole sejam nosso consolo e designa-nos imames dos devotos!”

3 – A conservação da espécie, a proliferação da prole e a edificação da vida. Essa natureza do Universo com que Deus criou o homem.

4 – A realização dos dois benefícios: o sensorial e o moral oriundos do esvaziamento da carga sexual.

Este é o ponto de vista do Islam a respeito do sexo: O ponto que se apóia na precaução detalhada quanto à natureza humana e quanto à natureza de suas particularidades orgânicas e morais; quanto aos resultados que deles provem e dos objetivos intencionados.

“Criamos o homem na mais perfeita proporção, então o reduziremos à mais baixa das escalas, salvo os crentes que praticam o bem; estes terão uma recompensa infalível.”

O Método Natural para a Satisfação Sexual

Do que já vimos, deduzimos que o Islam reconhece a existência da potencia sexual no ser humano, como reconhece suas outras potencialidades e seus outros instintos inatos. Como o Islam é a religião inata, ele estipulou o sistema natural para regulamentar a satisfação deste instinto.

De um lado, não lhe soltou as rédeas, como é o caso das instituições materialistas, nem o reprime, como é o caso dos eremitas e sofistas extremistas. Sua posição é o de facilitar a sua satisfação, alcançando os objetivos humanos que disso resultam, garantindo a salvaguarda da sociedade dos malefícios resultantes das satisfações desenfreadas e depravadas.

O casamento é o caminho

Por isso, o casamento no Islam é o único caminho moral, que conduz à satisfação sexual do individuo, sem causar danos à sociedade. È o oásis natural que une o homem à mulher, dando-lhe a tranqüilidade moral e sentimental. É a obrigação sagrada que geram e fazem crescer os outros laços sociais.

O Islam considera o homem como herdeiro da terra, para edificá-la, proliferar a orientação e os benefícios nela, coibir o mal e banir a miséria dela. Que todas as suas forcas, instintos, pensamentos, sentimentos, devem caminhar nessa direção: “Dize: Minhas orações, minhas devoções, minha vida e minha morte pertencem a Deus, Senhor do Universo.”

O Islam considera o homem na vida como uma experiência e prova. Que ele será ressuscitado para receber a recompensa na outra vida: “Pensais, por ventura, que vos criamos por diversão e que jamais sereis retornados a Nós?”

O homem, na opinião do Islam, é responsável por si, responsável por seu corpo, responsável pelos seus instintos e pelos seus órgãos, responsável pela sua pessoa e pela comunidade que ele faz parte: “ Do teu ouvido, da tua vista, e de teu coração, de tudo isto será responsável!”

A verdadeira servidão do homem para com Deus só se realiza com a submissão total a Ele; com a submissão total de seus pensamentos, seus sentimentos e seus instintos ao método que Deus instituiu, tornando-o a religião inata, a religião e o sistema da humanidade desde o dia em que disse: “Hoje tenho aperfeiçoada a religião para vos; tenho-vos agraciado generosamente e aponto o Islam por religião.”

O Islam preocupa-se na formação do homem que não considera as satisfações matérias como objetivo em si, o que quer que sejam; mas considera-as como meios para o alcance de nobres resultados humanos.

À luz dessa nobre opinião todos os comportamentos do homem, mesmo os mais simples, se tornam partes organizadas por um só laço e têm o mesmo objetivo: Seguir a natureza em que Deus criou o homem.

O sentido principal do casamento

O casamento, na realidade, significa uma coisa que se distingue na pratica e outra que se distingue pela aceitação e reação. Uma irá fluir e outra será influenciada, nessa reside o laço e naquela o acordo; e a ação e reação, o influir e ser influenciado, o laço e acordo entre as duas coisas é a relação matrimonial entre ambos. Esse relacionamento é a base da formação das coisas no mundo; e de acordo com essa formação se desenvolve a organização do Universo. Tudo neste Universo foi criado em casais na sua espécie, cada casal se liga, quanto ao principio e a origem, com esse relacionamento matrimonial, onde um será a ação e outro a reação.

O Professor Mohamad Qutb, em seu livro: “O homem Entre o Materialismo e o Islam”, diz:

“O Islam acha que a existência do relacionamento entre o homem e a mulher algo natural que deve acontecer. Ele reconhece que Deus colocou no coração de cada um o amor para com o outro. Mas Ele os lembra que devem se relacionar com o objetivo de conservar a espécie. Essa é uma verdade indiscutível. O Alcorão diz: “Vossas mulheres são vossas semeaduras”, limitando, com isso, o objetivo desse relacionamento entre os dois sexos.

Talvez alguém pergunte: Se o objetivo da vida quanto a esse desejo se realiza, quer o individuo seja ponderado ou exagerado, qual é a diferença, então, entre este e aquele?

A verdade, porem, é que há uma diferença enorme entre os dois pontos de vista na realidade dos sentimentos. Quando o homem crê que o ato do instinto possue um objetivo mais sublime que ele, e não é o próprio objetivo, a autoridade do desejo diminui em seus sentimentos, não toma a figura que castiga o sentido mais do que lhe proporciona prazer, Isso não significa que diminui seu prazer físico, mas, na realidade, coíbe o exagero que não pára num limite seguro.

No seio da família e do matrimonio o Islam permite que a potencia sexual se desenvolva racional e naturalmente. Porém não permite que seja praticada na rua, intima ou publicamente, tendo pela frente o quadro estarrecedor dos povos que deixam seus membros praticarem obscenidades, sem os coibir e evitar a sua desmoralização.

O Dr. Fritz Kahn diz que o casamento é o verdadeiro caminho para o alivio da potencia sexual. É a única solução radical para o problema sexual. Em seu livro, “A Nossa Vida Sexual”, ele diz: “Os seres humanos, no passado, casavam-se cedo. Essa era a verdadeira solução do problema sexual. Hoje, porem, a idade de casamento passou a se atrasar e há ate pessoas que não se preocupam em trocar as alianças do noivado por varias vezes. Os governos que conseguirem estipular códigos que facilitem o casamento precoce, serão agradecidos, porque adotam, com isso, a melhor solução para o problema sexual de nossa época.”

O Islam incentiva o casamento

Uma vez que o Islam considera o casamento como o caminho natural que faz à potência sexual atingir o seu objetivo humano além de proporcionar o seu prazer, ele incentiva e facilita a sua realização.

Até que a oportunidade de casamento surja para os jovens, o Islam pede-lhes que sejam castos. É um remédio aceito e natural numa sociedade limpa, desprovida de excitamentos, sociedade que não torna o homem um alvo do bombardeamento erótico destruidor, como é visto hoje em todas as sociedades humanas. O Profeta diz: “Ó jovens, quem de voz puder, que case, pois isto protege a moral e evita a cobiça. Aquele que não puder casar deve jejuar, por isso é melhor para ele.”

E diz: “Se o servo casar ele completa a metade de sua religião. A outra metade consiste em temer a Deus.”

E diz ainda: Três pessoa que Deus deve auxiliar: O que combate pela causa de Deus, o escravo que pede a sua libertação e aquele que casa por virtuosidade.”

E disse mais: “Aquele que puder casar e não o fez não é dos meus.”

Anas Ibn Málek narra: “Um grupo foi às casas das esposas do Profeta para perguntarem sobre o modo do Profeta adorar a Deus. Quando foram informados a respeito, disseram: Onde estamos em relação ao Profeta, uma vez que Deus perdoou-lhe todos os pecados passados e futuros? Um deles disse: Eu jejuarei para sempre! Outro dia disse: Não me aproximarei das mulher e não me casarei nunca! Quando o profeta chegou, perguntou-lhes: Fostes vós que afirmastes tal e tal coisa? Sabei que sou quem mais teme a Deus, quem mais O respeita; mas eu jejuo e quebro o jejum, oro e descanso, e caso com as mulheres. Aquele que se afastar da minha tradição não é dos meus.”

Poligamia, uma saída segura

Quando o Islam estipula uma norma para aliviar a potência sexual, ele considera o assunto em todos os seus ângulos. Observa que há diferenças na potencia sexual entre as pessoas. Por isso, ele estipula normas e saídas para a satisfação sexual de acordo com a lei.

A regulamentação da poligamia no Islam resolve uma série de problemas. É o melhor método para satisfazer a fome sexual dos que não se satisfazem com uma só esposa. É preferível para essas pessoas e para a sociedade em que vivem que tenham várias esposas do que tenham várias amantes.

O Professor Youssef Al Kardawi, em seu livro: “O licito e o Ilícito no Islam”, diz:

“O Islam é a palavra derradeira de Deus, com a qual selou as mensagens divinas. Por isso, instituiu uma lei geral, eterna que abrange todos os lugares, todas as épocas e toda a humanidade.

Ela serve tanto para o homem da cidade como para o nômade, tanto para as regiões frias como para as quentes, tanto para uma época como para outra. Ela reconhece as necessidades e os interesses das pessoas e das sociedades. Há entre as pessoas aquelas que desejam muita prole, mas casaram com esposas estéreis, ou são doentes ou tem um outro problema. Não seria melhor e mais honroso para esposa que seu marido casse com outra que pudesse satisfazer os seus desejos, permanecendo ela como esposa, com seus direitos garantidos?

Há homens de instinto forte, mas casaram com esposas de pouco instinto, por doença ou pelo prolongamento do período de menstruação, etc., e o marido não consegue restringir o seu desejo sexual. Não se deveria permitir-lhe casar com outra mulher ao invés de procurar uma amante?

A poligamia islâmica é criticada pelo ocidente cristão enquanto permite ao homem ter varias amantes, sem nenhum conta, sem responsabilidade civil ou moral para com a mulher ou a prole que porventura possa surgir desse relacionamento irreligioso e dessa pluridade imoral extra marital. Qual das duas partes é melhor?”

É provado que a traição matrimonial nos países monôgomos cresce assustadoramente. As estatísticas oficiais publicadas demonstram que os casos de adultério na França duplicam a cada ano.

As relações sentimentais entre os casais

O Islam, como sistema de vida, não negligenciou mesmo os pormenores e os detalhes do comportamento humano, particular e geral, para que se coadune com as bases dogmáticas e morais para a realização e o aprofundamento das quais ele veio.

Por isso, vemos que o Islam estipulou para as relações sexuais a orientação e a organização necessária.

Ele sabe que a relação sexual, ao mesmo tempo em que é típica, realizadora do objetivo inato, deve estar em harmonia com o ato e com a correspondência, proporcionando o prazer e união sentimental e psicológica entre o casal.

A preparação psicológica e sentimental é o melhor método para que o casal alcance a satisfação desejada. Que ligação é essa? Respondeu: A anuência e a conversa!

O profeta diz, ainda: “Três coisas que o homem não deve fazer: 1 – Que se encontre com quem deseja conhecer e se separe dela sem saber-lhe o nome e a família; 2 – Que a pessoa devolva o presente que lhe foi dado; 3 – Que o homem tenha relações com sua esposa sem antes conversar com ela e entretê-la.”

A respeito desse assunto, Alghazali, em seu livro “A Vivificação dos Ensinamentos Religiosos” , diz:

“Se o homem chegar ao orgasmo, deve demorar até que sua esposa o consiga. Pode ser que ela demore de o conseguir, então ele deve excitá-la; negligenciá-la será prejudicial a ela. Chega ao orgasmo em tempos diferentes causa aversão. Chegar a ele juntos é mais prazeroso para ela.”

A união psicológica e sentimental que o Islam se preocupa em realizar com o casal durante o ato sexual tem muitos benefícios, familiares aos psicólogos e sexólogos. É suficiente que ela satisfaça inteiramente a ambos fortalecendo os laços de amor e a afeição entre os dois.

Muitos estudos sexuais modernos dizem que a traição, a indisposição e os problemas que atingem a vida matrimonial são causados, na maioria das vezes, pela falta de homogeneidade sexual e psicológica entre o casal, e a sua incapacidade de alcançar o grau de união.

A santidade das relações matrimoniais

Se o Islam se preocupada em alcançar a perfeição nas relações sexuais entre os casais, ele se preocupa também em cercar estas relações com uma aurela de santidade e segredo, para proteger a hombridade e a moral do individuo e da sociedade, quanto aos perigos e os malefícios da divulgação que subvertem as virtudes humanas.

Por isso, o Islam previne os casais contra a pratica de sexo publicamente, ou torná-lo o assunto de suas conversas. O profeta disse:

“A pior das pessoas no Dia da Ressurreição é o homem que tem relação com a mulher e então divulga o seu segredo.”

Abi Huraira narra: “O Profeta nos perguntou uma vez: Há entre vós, acaso, aquele que tem relação com a sua esposa e depois sai comentando a sua pratica? Ninguém respondeu. Ele, então, foi ter com as mulheres e fê-las a mesma pergunta. Uma moça ajoelho-se e disse: Sim, eles comentam e elas comentam! Então, o profeta disse: Sabei com quem parece aquele que assim procede? Parece-se com um casal que se encontra na rua e pratica a relação sexual, com as pessoas assistindo.”


Continua Parte 2